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O outro lado do turismo de verão

2026-08-21
O outro lado do turismo de verão

Vende-se como paisagem, vive-se como economia. O turismo é, segundo o Banco de Portugal, um setor que gerou receitas recorde na ordem dos 29,4 mil milhões de euros e que pesa diretamente 14% no PIB nacional, chegando aos 16% quando se somam os efeitos indiretos. Um em cada quatro empregos em Portugal depende, direta ou indiretamente, de quem viaja até cá. Por detrás de cada check-in está um país inteiro a trabalhar.

O verão para a economia portuguesa começa muito antes da toalha aberta nos areais. Em 2025, os aeroportos nacionais bateram recorde absoluto, com 72,5 milhões de passageiros (36,1 milhões em Lisboa, 16,9 milhões no Porto, 10,4 milhões em Faro). Para 2026, a oferta volta a crescer, com mais de 600 mil lugares de avião reforçados só neste verão. Quem desembarca também deixa um rasto estatístico: 31 milhões de turistas internacionais e 82,1 milhões de dormidas em 2025. Atrás de cada estatística há milhares de camas a fazer, refeições a servir e transportes a coordenar.

A Associação da Hotelaria de Portugal admite que cerca de um quarto dos hoteleiros antecipa uma quebra face a 2025, mas regiões como o Algarve já somavam reservas acima dos 50% em plena preparação da época alta. É um verão que se decide cada vez mais à última hora, mas que continua a encher milhares de unidades hoteleiras e restaurantes de norte a sul do país.

É nesse pormenor que mora a verdadeira dimensão do setor. Contando efeitos diretos, indiretos e induzidos, o turismo sustenta cerca de 1,2 milhões de postos de trabalho em Portugal, perto de um em cada quatro. De forma direta, o INE contabiliza cerca de 318 mil pessoas empregadas em atividades turísticas. São rececionistas, cozinheiros, motoristas, guias e milhares de pequenos empresários que, longe das fotografias de férias, garantem que a experiência do visitante corre sem sobressaltos. O turismo vende-se como paisagem, mas o que a sustenta é uma máquina de escala nacional, e compreender esse outro lado é compreender por que continua a ser um dos pilares mais decisivos da economia portuguesa.

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