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Fitch reforça a credibilidade financeira de Portugal
2026-09-16
A Fitch Ratings reviu em alta, no dia 4 de setembro, os ratings de incumprimento de longo prazo de Portugal, de A para A+, mantendo a perspetiva estável. Segundo a agência, a subida reflete o reforço das finanças públicas portuguesas, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida e saldos orçamentais consideravelmente mais fortes do que os dos países comparáveis, sustentados por um compromisso político consistente com a prudência orçamental. A Fitch destaca ainda que os indicadores de governação de Portugal estão acima da mediana da categoria A, com forças institucionais ancoradas na integração do país na União Europeia e na zona euro.
Em números, a agência estima que a dívida das administrações públicas desça de 89,7% do PIB em 2025 para 87,0% em 2026 e para 82,9% em 2028, apoiada pela manutenção de excedentes primários e por um crescimento nominal moderado. O saldo orçamental deverá recuar de um excedente de 0,7% do PIB em 2025 para 0,1% em 2026, com um défice médio de cerca de 0,4% do PIB previsto para 2027-2028. Quanto à economia, a Fitch antecipa um crescimento do PIB de 2,1% em 2026, depois de 1,9% em 2025. A agência sublinha também riscos a acompanhar, nomeadamente a rápida subida dos preços da habitação, que poderá agravar as pressões sobre a acessibilidade, ainda que sem representar, para já, um risco macrofinanceiro material.
Esta é já a segunda subida de rating atribuída por Fitch a Portugal desde abril de 2024 — em setembro de 2025, a agência tinha revisto a notação de A- para A. Também a Standard & Poor's tem seguido uma trajetória semelhante, com duas subidas desde fevereiro de 2025, mantendo entretanto o país em A+ com perspetiva positiva na sua avaliação mais recente. Com esta evolução, Portugal passa a partilhar, na escala da Fitch, a mesma notação de países como França, Bélgica, Estónia, Lituânia, Eslovénia e Malta, restando apenas seis países da zona euro com classificação superior.
Para as PME portuguesas, o significado prático desta subida está na cadeia de transmissão, i.e. um risco soberano percecionado como menor tende a traduzir-se, ao longo do tempo, em custos de financiamento mais baixos para o país e, por essa via, em condições de crédito mais favoráveis para as empresas. Num momento em que o acesso a financiamento continua a ser um fator decisivo para o investimento e o crescimento das PME, esta melhoria da credibilidade financeira nacional reforça o contexto em que instrumentos como a Garantia Mútua continuam a desempenhar um papel central na aproximação das empresas ao crédito.







