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Garantia Mútua impulsiona crédito empresarial para máximos da última década
2026-05-31
O Banco de Portugal revela que os empréstimos com garantia pública às empresas atingiram 4,1 mil milhões de euros no último ano, o valor mais elevado desde 2022. Com 2025 a ser também um ano recorde de crédito empresarial, a Garantia Mútua emerge como peça estrutural — e não apenas conjuntural — do modelo de financiamento das empresas portuguesas.
Os dados mais recentes do Banco de Portugal (BdP) confirmam que a garantia pública deixou de ser um instrumento de emergência para passar a ocupar um lugar central no acesso ao crédito, sobretudo no universo das PME, o que representa uma mudança estrutural no financiamentos das empresas portuguesas.
Em 2025, os novos empréstimos concedidos às empresas ascenderam a 26,6 mil milhões de euros, o valor mais elevado registado estatisticamente pelo Banco de Portugal, desde 2015. Desse montante, 4,1 mil milhões de euros corresponderam a financiamentos com garantia pública, mais 3,4 mil milhões do que no ano anterior.
É preciso recuar a 2022, ainda sob o impacto das linhas pós-pandemia, para encontrar níveis semelhantes de utilização da garantia como instrumento financeiro. Só os anos da crise pandémica apresentaram valores superiores, o que evidencia que a garantia pública desempenha um papel determinante para além do que aconteceu num contexto excecional.
Esta conclusão é demonstrada pelas 76,9 mil empresas que contrataram novos empréstimos, entre março de 2025 e março de 2026, sendo que cerca de 18,1 mil recorreram a programas de financiamento com garantia pública, o que equivale a dizer que uma em cada cinco empresas se financiou socorrendo-se deste instrumento.
O impacto foi particularmente expressivo junto das pequenas e médias empresas. Nas pequenas empresas, os empréstimos com garantia pública representaram 32 por cento do montante total de novo crédito contratado; nas médias empresas, esse peso atingiu 23 por cento; nas microempresas, atingiu um peso de 11%, enquanto nas grandes empresas a utilização deste mecanismo foi residual, confirmando que o sistema continua fortemente orientado para o apoio às PME.
Além de facilitar o acesso ao financiamento, a garantia pública permitiu, e permite, reduzir significativamente os custos financeiros suportados pelas empresas. Segundo a publicação do Banco de Portugal, de 6 de maio último, a taxa de juro média destes empréstimos fixou-se em 2,96 por cento, abaixo dos 3,82 por cento registados nos contratos sem garantia pública, o que representa uma diferença de 0,86 pontos percentuais.
A análise setorial feita pelo BdP revela ainda que em volume absoluto, por exemplo, o comércio, transportes, alojamento e restauração concentraram o maior montante de operações com garantia pública, num total de 2 mil milhões de euros. Muito embora os setores do comércio, transportes e turismo liderem em volume total de operações, foi nos setores indústria, eletricidade, gás e água que a garantia pública teve maior peso no financiamento empresarial, representando cerca de 23,6 por cento do crédito concedido ao setor.
No que diz respeito à distribuição regional, o Norte concentrou o maior volume absoluto de operações, refletindo o peso do tecido industrial e exportador da região. Contudo, foi no Centro e no Oeste e Vale do Tejo que as garantias públicas assumiram maior relevância relativa no total do financiamento empresarial.
A articulação entre o Banco Português de Fomento, a Sociedade de Garantia Mútua e o setor bancário revela-se, pois, crucial, para este modelo de financiamento das empresas junto da banca, reduzindo o risco das operações e facilitando o acesso ao crédito em condições mais competitivas.
Para o mercado, mais do que responder a crises, a garantia pública tornou-se uma ferramenta estrutural de política económica, capaz de apoiar investimento, inovação, internacionalização e competitividade num contexto de crescente exigência financeira.
No ano transformador de 2025.

E em termos acumulados da carteira até 2025







