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Prevenção de incêndios: Prioridade estratégica para a economia portuguesa
2026-04-20
A prevenção de incêndios florestais assume este ano um papel crítico em Portugal, não só ambientalmente, mas também como uma questão central para a resiliência económica do país. Após um inverno marcado por tempestades severas, que deixaram no terreno grandes quantidades de material combustível, o risco de incêndios no próximo verão aumentou significativamente, exigindo uma resposta antecipada e coordenada.
A nível europeu, a Comissão Europeia tem vindo a alertar para o agravamento deste fenómeno, com incêndios cada vez mais frequentes, intensos e destrutivos, defendendo uma abordagem integrada que combine prevenção, preparação, resposta e recuperação. Esta visão reforça a ideia de que investir antes da ocorrência dos incêndios é não só mais eficaz, como economicamente mais sustentável.
Em Portugal os dados mostram bem esta realidade. Desde 2017, o Estado já gastou mais de 3,5 mil milhões de euros no combate e prevenção de incêndios, sendo que, nos últimos anos, a prevenção passou a representar a maior fatia da despesa. Ainda assim, os especialistas sublinham que os custos dos incêndios continuam a superar o investimento em prevenção, evidenciando que a inação ou insuficiência de medidas preventivas tem um impacto económico muito mais elevado.
Os incêndios afetam diretamente setores-chave da economia portuguesa, como a agricultura, a floresta, o turismo e a indústria, provocando perdas de produção, destruição de infraestruturas e impacto nas cadeias de valor locais. Para além disso, têm efeitos duradouros nos ecossistemas, como a degradação dos solos e o aumento da erosão, comprometendo a capacidade produtiva futura dos territórios.
Num contexto em que o país já enfrenta os custos da reconstrução após fenómenos climáticos extremos, como as tempestades do último inverno, a prevenção de incêndios surge como um investimento estratégico. Medidas como a gestão ativa da floresta, o fogo controlado, a limpeza de terrenos e a valorização económica dos recursos florestais são essenciais para reduzir o risco e proteger o valor económico dos territórios.
A nível europeu, a experiência recente demonstra a dimensão do problema: milhares de incêndios são registados todos os anos, com países do sul da Europa — incluindo Portugal — entre os mais afetados, concentrando uma parte significativa da área ardida.
Perante este cenário, torna-se claro que a prevenção não deve ser encarada como um custo, mas sim como um investimento com retorno económico e social. Reduzir o número e a intensidade dos incêndios significa proteger empresas, empregos, infraestruturas e recursos naturais, fundamentais para o crescimento sustentável do país.
Num momento em que Portugal reforça a sua capacidade de resposta a eventos climáticos extremos, com a criação do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), a aposta na prevenção de incêndios constitui uma condição essencial para garantir a segurança, a competitividade e a sustentabilidade da economia nacional a médio e longo prazo.







