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Rendibilidade das empresas portuguesas cresce
2026-07-22
As empresas portuguesas iniciaram 2026 com indicadores financeiros mais robustos. A rendibilidade do ativo, que mede a relação entre o EBITDA (resultados antes de amortizações, depreciações, juros e impostos) e o total do ativo, atingiu 9,5% no primeiro trimestre do ano, mais 0,4 pontos percentuais do que no período homólogo, aproximando-se do máximo histórico de 9,7%, registado no terceiro trimestre de 2023. Os dados constam da nota de informação estatística sobre as empresas da central de balanços, divulgada pelo Banco de Portugal.
Nas empresas privadas, tomadas isoladamente, o indicador situou-se também em 9,5%, confirmando que a melhoria não se limitou a um segmento específico do tecido empresarial.
A evolução registada não foi, contudo, uniforme entre setores. O crescimento da rendibilidade foi mais expressivo no comércio e nas sedes sociais, com subidas de 0,9 e 0,7 pontos percentuais, respetivamente. No comércio, a explicação está do lado operacional: o aumento do EBITDA resultou de um crescimento do volume de negócios superior ao dos gastos. Já nas redes sociais, o efeito teve outra natureza, decorrendo da geração de mais-valias associadas à alienação de participações de capital.
No universo empresarial público, a rendibilidade fixou-se em 7%, mais 0,7 pontos percentuais do que um ano antes, também associada à melhoria do EBITDA neste segmento.
Os dados do Banco de Portugal mostram ainda uma estrutura financeira mais equilibrada. Para o conjunto das empresas, os financiamentos obtidos representavam 26,6% do total do ativo, menos 0,3 pontos percentuais do que no período homólogo, uma redução que resultou do facto de o ativo ter crescido mais depressa do que a dívida.
Em paralelo, a autonomia financeira do total das empresas situou-se em 45,7%, mais 0,4 pontos percentuais do que um ano antes, um aumento explicado sobretudo pela incorporação dos resultados do próprio ano nos capitais próprios. Nas empresas privadas, este indicador subiu para 45,9% (+0,3 pp), com melhorias transversais à generalidade dos setores, exceção feita à eletricidade, gás e água.
A análise por dimensão empresarial confirma esta tendência positiva, com nuances: a autonomia financeira das pequenas e médias empresas subiu de 45,6% para 46,3%, enquanto nas grandes empresas recuou ligeiramente, de 41,1% para 41%.
O custo do financiamento continuou também a aliviar. As empresas pagaram, em média, 4,3% pelo financiamento obtido, contra 4,8% no primeiro trimestre de 2025, uma redução em linha com a descida das taxas de juro iniciada em meados de 2024, transversal a todos os setores e classes de dimensão. Como resultado direto, a cobertura dos gastos de financiamento subiu de 7 para 8,2 vezes, sinal de menor pressão financeira sobre as empresas nacionais.
No conjunto, os indicadores relativos ao primeiro trimestre de 2026 desenham um retrato coerente: empresas mais rentáveis, menos dependentes de financiamento externo, mais capitalizadas e a financiarem-se a custos mais baixos. Um cenário particularmente relevante para as PME, cuja autonomia financeira regista a evolução mais positiva do trimestre, precisamente o segmento que constitui o essencial da base mutualista da Garantia Mútua.
A próxima atualização destas estatísticas está agendada para 8 de outubro de 2026.






