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UE-Mercosul
Um novo ciclo de oportunidades para as empresas portuguesas
2026-05-22
Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul entrou em aplicação provisória a 1 de maio de 2026, num momento histórico para as relações económicas entre os dois blocos. O acordo cria novas oportunidades para as exportações de bens industriais, serviços e produtos agroalimentares para a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai.
A dimensão do mercado aberto é assinalável: 720 milhões de consumidores e um volume económico combinado superior a 22 biliões de dólares. Para as empresas exportadoras portuguesas, o impacto poderá ser imediato. A partir de 1 de maio, os exportadores de bens beneficiam de reduções tarifárias imediatas, enquanto as empresas europeias passam também a poder concorrer a contratos públicos nos países do Mercosul em igualdade de condições com as empresas locais, num processo de contratação mais simples e transparente.
No setor agroalimentar — particularmente relevante para Portugal — as perspetivas são animadoras. Estima-se que o acordo conduza a um aumento de 50% nas exportações agroalimentares da UE para a região do Mercosul. Vinho, azeite, bebidas espirituosas e outros produtos de qualidade diferenciada beneficiam de reduções tarifárias imediatas. Acresce que os países do Mercosul passam a proteger 344 Indicações Geográficas europeias, proibindo imitações e o uso indevido de denominações, símbolos ou imagens associadas a produtos genuínos. Uma proteção valiosa para produtores nacionais com produtos de origem certificada.
Para além dos bens, os exportadores de serviços beneficiam igualmente de novas oportunidades graças à implementação de regras de licenciamento claras, procedimentos não discriminatórios e facilitação da mobilidade de trabalhadores.
O acordo surge num contexto geopolítico exigente, marcado por tensões comerciais globais e crescente necessidade de diversificação de mercados. Para Portugal, o Mercosul representa um espaço com afinidades culturais e linguísticas únicas — sobretudo no caso do Brasil —, o que constitui uma vantagem competitiva natural para as nossas empresas.
Neste novo contexto, o financiamento à internacionalização ganha ainda maior relevância para as PME portuguesas. A abertura de novos mercados exige investimento em capacidade produtiva, adaptação comercial, certificação, logística e inovação — áreas onde instrumentos como a Garantia Mútua podem desempenhar um papel decisivo no apoio às empresas exportadoras.
Mais do que um acordo comercial, a aproximação entre União Europeia e Mercosul representa um novo ciclo de oportunidades para as empresas portuguesas com ambição internacional.






